Desde pequeno sempre fui extremamente curioso, o que me tornou num questionador nato. Passei a minha vida inteira perguntando como e porquê as coisas funcionam. Como um profissional da área de exatas, a minha curiosidade sempre esteve voltada para as questões matemáticas, físicas e químicas que possibilitavam desvendar o funcionamento de máquinas e mesmo de alguns fenômenos da natureza.

Confesso que jamais tinha imaginado que, um dia, o objeto alvo da minha curiosidade seria a mente humana. Tenho me dedicado, veementemente, em aprender e conhecer, a cada dia, um pouco mais sobre esse conjunto biomecânico programado por razões e emoções que chamamos de ser humano.

Reforço que este texto não tem a presunção de formular equações que possibilitem o entendimento do nosso consciente de forma a predizê-lo. O principal intuito aqui é apresentar o funcionamento, cientificamente comprovado, de como e porquê fazemos nossas escolhas e quais os impactos que isso traz para nossa vida pessoal e profissional.

O primeiro passo para conseguirmos desenvolver e usufruirmos dos benefícios da Procrastinação Produtiva, de forma realmente eficaz e sustentável, é entender, na íntegra, o que é procrastinação e porquê procrastinamos. Para isso, vamos entrar um pouco no campo da fisiologia cerebral e entender como essa máquina fantástica funciona.

Pesquisas sobre as raízes fisiológicas da procrastinação, na sua grande maioria, focam-se no envolvimento de uma área do cérebro que é responsável pelo planejamento, controle de impulsos e atenção, conhecida como córtex pré-frontal, essa região atua como um filtro diminuindo estímulos que causam distração.

Atualmente, estamos vivendo em um bombardeio de distrações altamente prazerosas. No apíce da era do big data, as distrações possuem até notificações que podem ser sonoras, mecânicas, através dos dispositivos vibradores e mesmo luminosas. Alguns aparelhos praticamente viram uma discoteca quando recebem uma mensagem de whatsapp.

Resumindo, basicamente temos uma parte do nosso cérebro que faz um filtro do que gera ou não gera prazer e, a partir disto, direcionamos nossas escolhas, obviamente, para o que é mais prazeroso.

A grande armadilha deste filtro é que, nem sempre, o que nos gera um prazer imediato traz consigo os benefícios que estamos a procura para as nossas vidas. Vamos lá a alguns exemplos:

  1. Para maioria da pessoas é muito mais prazeroso ir à praia do que ir ao trabalho, obviamente, com exceção daquelas que trabalham na praia. Entretanto, ir à praia todos os dias não traz os benefícios do trabalho, como estabilidade financeira e plano de saúde;
  2. É extremamente mais prazeroso navegar pelo facebook e se atualizar de todos os posts dos seus amigos do que dar baixa, ler e direcionar todos os 1200 emails que você recebeu durante as suas férias. Fato é que, 1 destes 1200 emails se, lido com antecedência, pode evitar possíveis constrangimentos no trabalho.

Se tivéssemos que conceituar o que é procrastinar, seria exatamente o que foi exposto no exemplo número 2, ou seja, deixar de fazer algo que não te gera prazer para fazer algo prazeroso, mesmo que momentâneo.

É em cima deste ponto que construí os 4 pilares da Procrastinação Produtiva:

  1. Criar um lista de tarefas;
  2. Definir afinidade;
  3. Priorizar;
  4. Ordenar a lista considerando prioridade e identificando afinidades.

A prática diária dessa metodologia aumenta a capacidade de uma pessoa de filtrar estímulos que causam distração e perda de atenção melhorando o seu foco e aumentando a sua produtividade.

Estudos científicos apresentam que nossa performance melhora, significativamente, quando temos injeções de doses moderadas de prazer em intervalos regulares durante o dia. Essa é uma das grandes sacadas deste método, você acaba proporcionando prazer produtivo.

O segredo dessa ferramenta é que ela nos permite procrastinar de uma forma mais inteligente, uma vez que você definiu uma lista de tarefas, devidamente priorizada, e com afinidades identificadas. Quando estiver de “saco cheio” de uma determinada atividade, você pode paralisá-la, momentaneamente, e ir para uma das suas outras atividades prioritárias que tem mais afinidade e, portanto, lhe trará mais prazer, deixando o seu cérebro mais estimulado para para terminar a atividade não tão agradável posteriormente.

Assista o video abaixo e veja, passo a passo, como aplicar essa metodologia.

 

Para finalizar, gostaria de deixar uma reflexão. Existe um fato inegável dentro do mundo profissional. Todos os trabalhos, seja ele o emprego dos sonhos como cantor, jogador, escritor ou demais empregos para nós, meros mortais, eles são compostos de atividades que gostamos e de que não gostamos de fazer. Seja no emprego dos sonhos ou seja num trabalho digno qualquer, sempre terão atividades que não nos geram prazer que são, entretanto, essenciais para o bom desempenho da sua performance nesse cargo.

Caso você esteja em um emprego de que você não goste de 100% do que estiver na sua lista de tarefas, aí, você tem um problema de propósito, um item extremamente importante que daria para escrever um outro artigo.

A forma como lidamos com essas atividades, tanto pela maturidade em saber que elas vão sempre existir e que apesar de desagradáveis são importantes para o negócio e, por consequência, para sua carreira, quanto em saber como preparar e estimular o nosso cérebro para lidar com essas atividades é, sem sombra de dúvidas, o grande diferencial dos melhores profissionais do mercado.

Gostaria de saber da sua experiência em aplicar essa ferramenta. Aplique e comente aqui como foi a sua, será um prazer poder lhe ajudar de alguma forma!

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